março 11, 2011 at 16:14 (Notas)

Um morador de rua, a frente da sua carroça, falava e gesticulava sozinho, em um fim de tarde qualquer. Debaixo do viaduto onde vive, à vista de um supermercado, o desabrigado afirmava:

— Ele morreu, mas não foi morte. Foi herói!

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dezembro 24, 2010 at 19:51 (Notas)

A ele, deram um brinquedo, que ele deixou na minha casa. Terá sido para mim, o presente? Presenteado de forma tão oblíqua e indireta. Agradeço, pelo brinquedo, a quem de direito. Mas vou devolvê-lo ao primeiro dono.

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dezembro 24, 2010 at 18:15 (Notas)

O valor de um diálogo se mede pelo equilíbrio entre as falas dos seus interlocutores. Aquele que desequilibra a balança de uma conversa, e dana o encontro, é o mesmo que em uma partilha de bens exige a maior parte.

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ÀS VÉSPERAS

dezembro 24, 2010 at 3:29 (Notas)

Estamos prestes a comemorar um novo Natal. Familiares reúnem-se, olhos infantis brilham ao ver tantos objetos e embrulhos, moradores da ponte comem bem, agraciados pela generosidade de quem acredita no espírito natalino – um espectro gordo e vermelho. Os patriarcas, coronéis, executivos e grandes barões se sentam à ponta da mesa, diante de crianças, mulheres e idosos, e todos eles se orgulham da farta disposição de beliscos, entradas, pratos protagonistas, vinhos e refrigerantes. É tempo de paz, a humanidade festeja comendo, como se faz desde os primórdios.

O ano seguinte vem rompendo o horizonte do cotidiano, trazendo consigo toda uma nova perspectiva. É a nossa chance que vem, mais uma chance para as nossas vidas. Vamos a ela, somos feitos para a experiência do amanhã. Brindaremos e, pela primeira vez em noites, olharemos para a Lua. Os anos finalmente se encontram, e se despedem como um amor que nunca aconteceu. Teremos nas mãos uma garrafa, talvez, ou um celular. Congestionaremos as linhas de comunicação, afobados para falar com o distante, meio esquecidos de quem está ao lado.

Na televisão, as retrospectivas sobre o ano que se põe; vitórias e derrotas da comunidade humana, esse grupo que se pensa indivíduo. Levaremos boa esperança, como manda nosso imenso e surpreendente amor. Riremos juntos, choraremos solitários. Novos derramamentos de lágrimas e de alegria. Sorvê-los-emos. Beberemos, ora sedentos, ora enfastiados, beberemos para morrer e renascer. E no reencontro da vida, na recuperação dos sentidos, teremos enfim encontrado bons momentos de alívio para a nossa eterna aflição.

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