dezembro 24, 2010 at 18:11 (Fotografia)

¤ Foto de Olívia Fuchs
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SHOPPING CEDO

outubro 5, 2010 at 0:56 (Fotografia, Jornalismo)

Estimulados pela publicidade, crianças e adolescentes entram no mercado de consumo com idades cada vez menores. Especialistas advertem que a precocidade no ‘ir às compras’ pode implicar conseqüências no desenvolvimento infanto-juvenil.

Em novembro de 2008, quando a venda de veículos havia despencado 26% em um mês no Brasil, em conseqüência da crise econômica mundial, o governo Lula anunciou a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que reincide sobre os automóveis, para que houvesse a retomada no consumo deste bem. No ano seguinte, o presidente anunciaria a aplicação da mesma medida nos produtos da linha branca (eletrodomésticos). Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a decisão fiscal foi “bem sucedida” porque manteve a economia em bom funcionamento nos meses que sucederam o barateamento das mercadorias.

Sob um ponto de vista macroeconômico, consumir é indispensável para o crescimento de um país. Individualmente, serve para atender a necessidades básicas ou à auto-satisfação. Alguns consomem no intuito de exibir status, outros, para aliviar momentaneamente aflições e ansiedades. Seus anunciantes defendem que o consumo é a fórmula para se atingir a felicidade, sentir-se realizado e viver adequadamente. Mas será que isso é o que acontece quando toda uma geração é prematuramente educada para comprar?

“A inserção dos jovens como consumidores, ou seja, discutir cidadania como capacidade de compra, foi uma das grandes armações e virações que o mercado descobriu”, disse a socióloga, pesquisadora da UNESCO e professora de pós-graduação da UCS (Universidade Católica de Salvador) Mary Garcia Castro. A especialista observa que a juventude atual, estimulada pelo capitalismo, tem mais projetos voltados para o ‘eu’ do que para o ‘nós’ – um “valor muito propício para a economia de mercado”.

Na esteira do consumo, 46% dos jovens com idade entre 7 e 13 anos utilizam serviços de telefonia celular no Brasil, segundo um estudo de 2008, da consultoria mundial TNS Worldpanel. Cerca de 5 milhões de aparelhos celulares estão nas mãos de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, apontou o último Pnad (“Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio 2009”) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística). A relação do jovem com bebidas alcoólicas também apresenta precocidade: dos mais de 11 mil entrevistados, todos menores de idade, na pesquisa “Este jovem brasileiro – Álcool”, 67% afirmaram já ter bebido, 37% do total provaram da bebida antes dos 13 anos e outros 30% admitiram beber com regularidade. O uso regular do álcool começa, principalmente, a partir dos 14,5 anos.

“A criança é chamada cada vez mais cedo para consumir produtos e serviços do mundo adulto”, afirmou a advogada Isabella Henriques, que coordena o projeto Criança e Consumo do Instituto Alana. Segundo ela, o público infanto-juvenil é suscetível a influências externas porque não apresenta o pensamento crítico-analítico consolidado. Os jovens também orientam o gasto dos pais e representam os futuros compradores. Como se para atingir as expectativas do mercado produtor, “a criança de hoje já tem a percepção estruturada para o consumo”, analisou a pesquisadora e psicoterapeuta Ana Olmos, que atende a este público. “Isso está presente cada vez mais cedo na vida das pessoas e está relacionado aos primeiros momentos de televisão”, diagnosticou.

Antenados

A televisão é a forma mais eficaz de atuação da publicidade – no primeiro bimestre deste ano, o meio recebeu 65,7 % do investimento publicitário total, de R$ 3,2 bilhões, segundo o projeto Inter-Meios. O Pnad 2009 mostra que 95,7% das residências do País têm ao menos um televisor. Em 2007, brasileiros de 4 a 17 anos assistiam à TV durante 4h50 por dia, de acordo com o Media Workstation, um órgão de pesquisas em comunicação. Outro estudo, do projeto Criança e Consumo, calcula que 3h30 horas diárias de uso expõem o telespectador a 40 mil anúncios publicitários por ano. O canal infantil Cartoon Network, por exemplo, apresenta quase 10 minutos de propagandas a cada hora de programação. Enquanto assiste à chamada “babá eletrônica”, o jovem é alvo permanente de peças propagandistas.

Ana Luísa Canto Pereira, 3, é audiência para os canais infantis Discovery Kids e Playhouse Disney. No intervalo comercial de algum deles, ela descobriu o Dia das Crianças. Agora, Ana espera a data para receber um brinquedo que já desejava, mas lhe era negado pela mãe, a psicóloga Cecília Roxo Loureiro. O dia 12 de outubro é um dos principais focos de atuação do mercado infantil. A Mattel, que fabrica Barbies e Max Steels, costuma lançar em média 200 brinquedos a essa altura do ano, de acordo com a diretora de Licenciamento da empresa no Brasil, Érica Giacomelli. Em 2006, a indústria de brinquedos teve faturamento anual de R$ 1,7 bilhão, segundo dados da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos).

Com exceção de massa de modelar, Cecília não costuma dar presentes à Ana Luísa fora de datas especiais. “Os pais é que deveriam decidir do que os filhos precisam”, falou. Contudo, a psicóloga disse que sofre pressão ao ver a atitude de outros adultos perante seus filhos: “Como você faz quando vê todos os pais dando presentes e você não? Não dá para convencer a criança de forma verbal que aquilo pode ser ruim.” Em função dos estímulos que a publicidade provoca nos jovens, a mãe acha que os anúncios publicitários voltados para a infância deveriam ser restringidos.

“O pai fica com a tarefa de ser o chato, de dizer não”, apontou Isabella Henriques, do Instituto Alana. Ela acredita que as crianças estão sendo “instigadas a querer cada vez mais” e, portanto, escolhem brinquedos sem ter critérios de uso. “A criança não tem condição de fazer uma análise crítica do mercado de consumo e da publicidade”, continuou a advogada. Para Mary Garcia Castro, se há um culpado maior, é a mídia de mercado. “Ela quer vender, está se lixando para os valores”, acusou a socióloga. Ela realça que os veículos de comunicação detêm tanto poder de influência porque estão substituindo outros instrumentos de formação, como a escola, “que se funcionassem melhor, seriam aparatos de contraposição à mídia”.

Malefícios

As conseqüências de um modo de vida consumista aprendido desde a infância podem ser graves, segundo as especialistas consultadas pela reportagem. Ana Olmos acredita que os jovens que consomem exageradamente, hoje, podem sofrer, amanhã, de uma “insatisfação perene” e uma constante “sensação de inadequação e infelicidade”. “Cada vez mais cedo, as crianças começam a se sentir com necessidades e demandas que não têm nada a ver com a realidade”, esclareceu a psicoterapeuta. Para ela, “isso é um fator adverso à construção da identidade e ao desenvolvimento integral da criança.”

Isabella Henriques acredita que, “em uma sociedade que quer ser cada vez melhor e mais sustentável”, a criança exposta aos ideais de mercado cresce com “valores consumistas”. A coordenadora do projeto Criança e Consumo também enxerga problemas na maneira como o público infanto-juvenil é tratado pela publicidade. “O que está acontecendo, e de fato é problemático, é uma precocidade no sentido de que a criança esta sendo vista pelo mercado produtor e de anunciantes como um consumidor adulto”, afirmou.

Eros consumista

Na prateleira dos produtos de beleza, a Natura estima que adolescentes consumidoras de cosméticos gastem aproximadamente 60% de sua mesada com esse tipo de mercadoria. O Boticário calcula que 10 milhões de brasileiros componham o mercado jovem de compradores desses artigos. “Aquela criança que começa a consumir muito cedo maquiagem, serviços e produtos de beleza, vestuário, imagens e mídia que não são adequados à infância, ela pode sofrer um processo de erotização precoce”, advertiu Isabella.

Uma imagem estereotipada muito usada em anúncios publicitários é a mulher sexy. Associada a um objeto de consumo, tal visão sugere que o produto pode ser a ponte necessária entre o consumidor (masculino) e a “mercadoria” (feminina). Ou ainda, adere a noção de prazer sexual ao que está sendo anunciado. “Você acha que é um azar, nas propagandas de carro, o carro estar ao lado de uma mulher? Quer dizer: com aquele carro eu vou ter as mulheres que eu quero!”, analisou Mary Garcia Castro.

Jovens também assistem aos intervalos comerciais produzidos para adultos. “São apelos que fazem com que a criança, em uma faixa etária em que ela não está preparada para isso, acabe antecipando fases da vida adulta”, disse Isabella. Na psicanálise, entre a infância e a adolescência ocorre o período de latência. Nessa fase, a libido da criança é canalizada para o desenvolvimento do seu ego. “Toda sexualidade dela é como se estivesse esperando o momento certo para desabrochar”, explicou a advogada. Intervir na latência com estímulos sexuais inapropriados pode acarretar na fragilização das estruturas de sociabilidade do indivíduo.

“A natureza da sexualidade infantil é diferente da adulta. Quando crianças usam batom, salto alto, tudo isso imitando um modelo de beleza adulto, é um sinal de erotização precoce”, explicou Ana Olmos, que tem observado em seu consultório o consumo prematuro de maquiagens, artifícios para o cabelo, roupas provocantes e saltos altos, tudo isso por pacientes que ainda não completaram os 10 anos de idade. Para ela, essas são necessidades que nada têm a ver com a infância; “são do mundo adulto e geram lucro para o mundo adulto”. “Pode-se ir estruturando dentro da cabecinha da criança a idéia de que para ser bonita ela tem que ser pintada, tem que usar roupa chamativa, até num sentido erótico”, cogitou a psicoterapeuta.

¤ Legenda 1: Foto de Olívia Fuchs – Ana Luísa, 3, caminha entre as prateleiras de uma loja de brinquedos.
↑ Legenda 2: Autor anônimo – Ilustração bem-humorada retirada da Internet
↑ Legenda 3: Outdoor da Marisol, empresa que detêm a marca Lilica Ripilica de vestuário infantil – A propaganda foi denunciada por cidadãos paranaenses em função da pose da modelo mirim e da frase que a acompanha; o Instituto Alana analisou a imagem, concluiu que ele estimulava a erotização precoce e entrou com uma denúncia no Ministério Público do Estado do Paraná. Questionada pela reportagem, a empresa alegou que “(…) em nenhum momento houve a intenção de sugerir qualquer sentido sensual à expressão”.

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O FARDO DE MARCOS BAHIA

setembro 14, 2010 at 15:15 (Fotografia, Poesia)

Pega seu carro, Marcos
Leva-o para passear
Pesa seu carro, Marcos?
Atulhe-o, vá reciclarQue dizem os outros carros?
Eles gritam: acelere, Marcos!
Que fazem todos automóveis?
Buzinam! E você aí, imóvel

Que faz Marcos Bahia,
Quando quer ultrapassar?
Força o gogó, assovia,
Faz panelaço sem par

De onde vem, Bahia?
Por que tanto caminha,
Quais seus destinos?
E aonde vai com tudo isso aí nas suas costas?Pesado fardo é carregado
No interior do seu carro
Na superfície dos ombros
Entre a madeira e a carne

É caro seu carro, Marcos
Feito a casa do caracol
Que, apesar de protegê-lo
Do Sol, torna-o lento

Nas costas, inalienável,
Vai o carro a carregar
Sua grana, sua vida, seu pão
Material de reciclar

Diga-me sério, Marcos
Quanto de lata, plástico,
Vidro e castigo, você
É capaz de carregar?

¤ Foto de Olívia Fuchs

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CHAMADO À JUVENTUDE

agosto 11, 2010 at 20:20 (Filosofia, Fotografia)

A maior força do jovem é a insegurança. O Homem, quando jovem, vive morrendo de medo, vítima de uma incerteza profunda sobre sua própria existência. Isso lhe dá chance de arrepender-se, que por sua vez possibilita que ele se corrija, para conciliar-se consigo mesmo. Um grupo de amigos convive em constante reforma da parte de seus integrantes: o orgulhoso em inevitável momento torna-se a humildade encarnada; o tímido grita e se posiciona firmemente em uma situação desconfortável; o briguento prova-se da mais dócil bondade enquanto o outro, geralmente calado, cospe verdades ácidas em seu rosto. Os jovens de fato preocupam-se e vigiam o seu próprio comportamento, portanto, se necessário, mudam a favor do bem coletivo. Consiste nessa capacidade para a autotransformação a maior virtude do ser jovial, que lhe dá poder para modificar o meio em que está inserido e transgredir os caminhos traçados por seus antecessores. A maleabilidade do Homem é uma das principais características da sua juventude.

O adulto é incorrigível, em suas totais certezas e absolutas visões de mundo, como o mármore desgastado de uma lápide. Após o período em que a seriedade passa a ser valor supremo, momento na vida do Homem moderno sobre o qual Jean-Paul Sartre escrevera um livro – Idade da Razão –, o ser adulto adota uma postura plena e imutável, tornando-se um conservador duro. Ele retém, preserva, acumula. O adulto morre de medo da morte, e para não vislumbrá-la apega-se às rochas ásperas da vida, enquanto o jovem ainda teme a vida, e nada pode fazer senão vivê-la, de maneira atenta, maleável e reparadora. Eis a grande diferença entre o adulto que se segura e o jovem que se desfaz: os objetos de temor – morte e vida.

Em função do medo, os pais impõe aos seus filhos temores de outra ordem, que não a da vida. Eles dizem: deve-se temer a liberdade, a independência, os espaços públicos, o futuro e – curiosamente, mas não sem razão – os adultos. Querem os progenitores que seus rebentos sejam conservados, pois os mais velhos enxergam os mais novos como bastiões de resistência à morte. Assim, nesse apego à vida por medo da morte, o adulto acaba por botar em clausura o jovem, impedindo-o de cumprir sua principal função no organismo social, que é a de transformá-lo. Ao contrário das plantas, já encontradas em sua forma de perpetuação, ao ser humano não basta o nascimento de um flor para que esta dê continuidade ao fenômeno da vida. Estamos tortos – e sabemos. Podemos contar apenas com a juventude na reparação de nossos enganos.

Triste é que o jovem esteja, hoje, em estado mais envelhecido do que nunca. Da maior força criativa e renovadora da raça, tornou-se vestibulando e consumidor voraz. Seremos até a idade adulta filhos de nossos pais? Trilharemos os mesmos caminhos, obedecendo a eles? Cometeremos os mesmos erros, da ganância à destruição? Não pode ser…

Pergunte ao pai se ele foi como o avô.

¤ Foto de Olívia Fuchs

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COMO UM GATO

julho 16, 2010 at 6:38 (Fotografia, Literatura)

Sonhei com um lugar enorme e antigo, cheio de escadarias entrecortando paredes feitas de pedra. Em todos os lados do primeiro andar, abriam-se janelas e portas, que deixavam entrar uma claridade matinal, alva e suave. No centro do saguão, repousava um imóvel. Era uma estante de livros esculpida em madeira escura, com prateleiras apoiadas em colunas grossas, da mesma matéria-prima mistamente colorida, de ébano e marfim. Formavam uma estrutura imperiosa, sólida e soberana. Não me lembro se se enfileiravam livros no imóvel. O centro do salão era inteiramente ocupado por esse cubo maciço. Todo o lugar provocava a sensação de se estar em uma universidade centenária, repleta de realidades indizíveis, certamente superiores.

A visita parecia o retorno a um local que já havia sido adentrado antes, por mim, em memórias inexistentes. Meu desejo era o de subir os lances de escada. Eu procurava algo no interior do monumento, felinamente. Queria explorar, percorrer astuto os aposentos e jardins, encontrar a essência da edificação mágica, que ainda recendia o frescor da aurora.

Empertigava-me o pensamento de que aquele poderia ser um momento eterno. Alguém havia me pedido para buscar algo ali. E lá havia ido eu, obstinado, como se conhecesse o local, ao mesmo tempo ávido de curiosidade para desvelá-lo, como um explorador.

Sorrateiro e ágil, movia-me feito um gato. A nostalgia tomava-me conta: era um lar.  Percorria-o cheio de  disposição e destreza,  entendendo que pesquisava na casa o conhecimento absoluto, o repouso do ser. Um sonho, em uma biblioteca flutuante invadida pela luz do sol. Explorei-a a quatro patas, mas minha memória já não alcança seus detalhes. Acordei, e da cena só lembra-me-ia à noite seguinte. O sonho acabava.

¤ Foto de Olívia Fuchs

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AMOR DE ESQUERDA

junho 16, 2010 at 17:36 (Fotografia, Poesia)

O nosso amor é comunista
Embora alguns comentem
Felizes da vida capitalista
Que sou um indivíduo tolo

Que indivíduo esperto que
Namora, sabe a hora de se
Segurar e guardar para si
A riqueza que lhe é direito

Como Werther, de Goethe,
Acusa: se o amor não se dá
Por inteiro, e valores sociais
Vão primeiro, é incompleto

Tanto sofrimento no jovem
Que com a mulher enriquece
O coração novo de homem,
E não pensa em enriquecer

Ela dá-me o espírito
Eu lhe dou o material
Recebo dela o cimento
E ela ganha minha cal

Adoro lhe ceder palavras
Enquanto ouço suas lições
E em um ritual sinérgico
Fazemos nossa comunhão

Quando vou à fábrica
É ela quem me dá pão
Ela me beija enfática
Eu lhe agarro as mãos

São generosos e igualitários
Os meios de produção
Somos dois bons operários
Do amor, nosso patrão

Ninguém acumula lucro
Ninguém tira mais valia
Vivemos nosso sistema
Em sincera companhia

A companhia do comum
Onde, quando perdem,
Perdem todos, e quando
Ganham, vencem os dois

Do comunismo, aí fica
A experiência mais vivaz:
Um relacionamento,
A sociedade dos casais

Dizem que o regime
Foi utópico e falhou
Mas posso dizer-me
Leninista ou sonhador

Conosco,
O comunismo
Funcionou.

¤ Foto de Olívia Fuchs

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RÉPTEIS SORRIEM

maio 25, 2010 at 2:29 (Fotografia)

¤ Foto de Olívia Fuchs

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DISPARIDADES

abril 8, 2010 at 20:32 (Análise & Crítica, Fotografia)

Paraisópolis e o Morumbi: tão perto, mas tão longe.

¤ Foto de Tuca Vieira

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AMPARA-SE QUEDAS

março 8, 2010 at 20:45 (Fotografia)

¤ Foto de Olívia Fuchs

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JORRO

fevereiro 16, 2010 at 16:45 (Fotografia)

¤ Foto de Olívia Fuchs

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