Eduardo Campos teria o meu voto

agosto 13, 2014 at 17:21 (Sem categoria)

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Campos no Jornal Nacional: pelo fim dos cargos vitalícios, do nepotismo e da polarização PT-PSDB

Justificar o voto é talvez um dos maiores exercícios democráticos possíveis. Não falo de ir ao cartório eleitoral para dar uma desculpa e evitar as urnas, mas de se posicionar como um eleitor esclarecido. O que talvez seja uma das grandes dificuldades do brasileiro enquanto cidadão obrigado a votar. Assim sendo, Collor teria vencido em função do seu charme. Lula, porque despertou a paixão nacional, num país tomado pelo amor ao futebol, e convenceu as elites e oligarquias, com um corte de barba e uma carta, que não causaria grandes confusões no “sistema”. Pelo contrário, aprofundou-o. FHC… sei lá por quê, era um intelectual-lorde-respeitabilíssimo. Se, junto ao voto, os brasileiros fossem orientados a justificá-lo, num papel servido à mesa de votação, talvez nossa juvenil democracia amadurecesse um pouco mais. “Votei em Dilma porque estou satisfeito com a política do PT. Lula melhorou a nossa vida, e essa mulher é guerreira. Acredito nela”, escreveria um eleitor nos idos de 2010.  

Neste ano, nada novo na praça. Seria mais do mesmo: a polarização PT-PSDB, com a donna e o playboy no páreo. Mas olha que despontava outra opção: o pernambucano Eduardo Campos, que, pois é… ele morreu. Como brasileiro, lamento amargamente a morte de Eduardo Campos. Num ano em que outro grande tema nacional nos destroçou (falo dos 7 a 1), desastre semelhante acaba de acontecer na política. Agosto é sempre agosto, e tarda a terminar… Eu votaria em Eduardo Campos, eis o motivo:

Pernambuco é uma terra fértil do pensamento e da mudança. Lançou no ano passado “O som ao redor”. Maracatu, Olinda, Mangue-beat. Toda uma simbologia — ainda que restrita na cabeça de um paulistano, acostumado com os noticiários cultural e político do sudeste — envolvia a voz que vinha de lá. Esse tempo presente que vivemos… Brasil 2000, Finanças Devoradoras do Mundo, manifestações para todo lado… Esse deve ser um tempo que exige mudanças. Mas a velharia no poder, alianças sinistras e jovens apanhando nas ruas, essas coisas impedem a renovação do cosmo brasileiro. (Ó Cosmo, ó teorias do Universo, invocar-vos quando a Razão não alcança a realidade!) Propondo alguma mudança, só mesmo a aliança Campos-Marina — dois divergentes do governo, representantes do Novo-que-sempre-insiste.

O governo atual perdura faz 12 anos: queremos mesmo mais quatro? Os analistas políticos e econômicos, fontes favoritas dos jornais, podem ver que é um tempo especial para o Brasil, quer dizer, se a gente vai resolver nossas questões de calabouço, é agora! Há quem chame Lula de covarde porque, quando usufruía da maior popularidade já obtida por um presidente, ele ainda assim não mexeu nos vespeiros da República. Era, então, Eduardo Campos a propor o fim dos cargos vitalícios na Justiça! Era ele a querer acabar com o nepotismo (concessão de cargos públicos a familiares)! Era ele a propor uma alternativa política fora do jogo PT-PSDB, em que o juiz é o PMDB de Sarney e outros velhacos que atrasam o caminhar da nação.

O Velho permanece.

Com a morte de Campos, saímos perdendo. Mesmo se ele fosse uma promessa vazia, como Neymar. Pois, assim como o jogador do Santos não jogou na final (nunca saberemos se ele salvaria o time, provavelmente não), Campos vai ficar de fora da missa porque morreu em Santos (jamais saberemos…) Algo sombrio nos espreita. Mais brasileiro é o ditado: não adianta chorar o leite derramado…

O local do acidente, em Santos (SP). Foto: G1

O local do acidente, em Santos (SP). Foto: G1

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