SANTA IFIGÊNIA MARCHA CONTRA NOVA LUZ

janeiro 14, 2011 at 20:15 (Jornalismo)

Centenas de comerciantes do Centro de São Paulo fecharam as portas de suas lojas e foram às ruas na tarde desta sexta-feira (14). Sob forte chuva, eles usaram apitos, buzinas e coros de protesto para ir contra o projeto Nova Luz, da prefeitura paulistana.

A passeata, organizada pela Associação dos Comerciantes do Bairro da Santa Ifigênia (Acsi), começou na esquina entre o endereço da entidade e a Rua Vitória. Dois carros de som lideravam a multidão, que carregava placas e vestia camisas de protesto.

O nome do prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi criticado várias vezes pelos líderes da manifestação. Em cima dos carros de som, os oradores pediram a retirada (“fora!”) do secretário municipal da Cultura, Andrea Matarazzo, que neste ano foi mantido no cargo por Geraldo Alckimin (PSDB).

Havia cartazes e camisetas com motes, tais como “Não à especulação imobiliária” e “Cimento não cura crack”. Eliminar a “cracolândia” é uma das bandeiras do Nova Luz.

Para os manifestantes, a implantação do projeto atende exclusivamente a interesses corporativos do setor imobiliário. A maior preocupação dos comerciantes é que seus estabelecimentos sejam desapropriados durante a revitalização da área.

“Nosso medo é o desemprego”, disse Assy, 54, que há 20 anos é vendedora na Rua Santa Ifigênia. A funcionária de uma loja de informática, Micheli, 22, teme o mesmo. “Muita gente trabalha nas ruas do Centro. O projeto pode expulsá-los daqui”, afirmou ela, que estuda turismo.

“Centro tecnológico”

A maior parte das lojas estava fechada durante o protesto. Segundo um organizador, que fez discurso sobre o carro de som, era a  primeira vez que o popular centro de compras parava totalmente de funcionar. A Santa Ifigênia, que tem um público imensurável, é conhecida por comercializar artigos de tecnologia a preços acessíveis à maior parte da população.

Presidente da Acsi (a associação comercial da Santa Ifigênia), Pedro Garcia diz que a região emprega 50 mil pessoas e gera a segunda maior arrecadação de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Estado de São Paulo.

“A região é um centro de desenvolvimento tecnológico”, declarou Garcia. “Há cinco anos que esse projeto [o Nova Luz] gera uma sensação de total incerteza em relação ao futuro”, também disse. Por telefone, ele cometeu um ato falho: “A Santa Ifigênia é uma máquina… Desculpe, marca sob a qual trabalham ‘180 CNPJs'”.

Autoridades

Agentes da Polícia Militar e da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) acompanharam a passeata. As ruas Santa Ifigênia e Alvorada, assim como as suas imediações, foram bloqueadas pela CET-SP para viabilizar a manifestação. A PM não soube estimar quantos manifestantes haviam no lugar.

Parte dos comerciantes que protestavam seguiu em direção à Faculdade de Tecnologia (Fatec) da Avenida Tiradentes, ainda no Centro de São Paulo. A Secretaria Municipal do Desenvolvimento Urbano havia programado para as 19h uma audiência pública sobre o projeto Nova Luz.

→ O minguar da audiência
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