TIPOS (PÓS-)MODERNOS: VENDEDOR DE JOGOS SOCIAIS

julho 3, 2010 at 17:07 (Crônica)

Do lançamento de um projeto voltado para a Internet e seus provedores populares, as lan houses. Donde a apresentação de um produto virtual, de certa empresa Mentez:

Um autêntico gringo, corpulento e sonso, usando bigodes semelhantes aos do Salvador Dalí, segue dizendo à platéia, formada, entre outros, por proprietários de lan houses e alguns executivos do Banco Santander, que no Brasil é muito raro alguém ter cartão de crédito e usá-lo na compra de “mercadôurias online”.

Enquanto um consultor do Sebrae mastiga a própria mão – provavelmente, para não rir da figura nortenha -, o americano expõe seu português aprendido, suavemente iluminado por um telão branco, que lhe presta retaguarda.

Milhões é “milões”; desconto é “discôntou”, em sua pronúncia alisada pelo ditongo “ou”. Ele próprio parece não se levar a sério, usando uma risonha expressão  banhada de imposição de superioridade, cômica e aparentemente alheio à situação.

O tal Andrew veio a vender jogos  de computador, produzidos por uma empresa Mentez e bem conhecidos no mundo da Internet. São os chamados social games, que têm como exemplares de sucesso os cooperativos Farmville e Buddy Poke. Ainda há outros da Mentez que o representante de vendas da “fábrica” afirma não poder divulgá-los, por eles serem “top secret” – como informa um dos quadros de apresentação, reproduzidos por um retroprojetor na tela posta à traseira do gringo.

Com olhos e bigodes de artista, o funcionário da empresa é um pintor do mundo virtual: espécime da restrita safra de empregados pós-modernos, adeptos da digitalização da vida humana. À beira dos 30 ou 40 anos, essa gente passa os dias desenvolvendo sua arte virtual, submetida a empreendimentos coloridos e cheios de design, como o Google e a Apple.

Com certa urgência e preocupação, como se pudesse o público estar sendo enganado caso a verdade não fosse logo dita, o telão nos informa, paternalmente: “Aviso: este programa ainda é beta”. Exceto a maioria, alguns parecem se perguntar: Que significa isso? Penso, logo existo: as ferramentas digitais e a Internet vêm enlouquecendo os homens, fazendo-os crer que suas realidades  audiovisuais dizem mais do que osso, carne, emoções e coletividade.

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