SALÁRIO MÍNIMO NÃO É REMUNERAÇÃO ADEQUADA, SEGUNDO DIEESE

junho 21, 2010 at 15:31 (Jornalismo)

Para órgão intersindical, piso de R$510 não satisfaz as necessidades básicas do trabalhador

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera a remuneração adequada como uma das condições para o trabalho decente. No Brasil, o valor de R$ 510 é, atualmente, o parâmetro constitucional que determina a renda mínima para suprir as necessidades de um trabalhador e sua família (de mulher e dois filhos).

“É praticamente impossível viver com R$ 510. O salário mínimo tinha um valor muito maior do que esse de hoje, quando foi criado”, disse o economista José Maurício Soares, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos (Dieese).  Segundo ele, a remuneração mínima obrigatória perdeu cerca de 60% do seu valor, desde 1946.

O Dieese estabelece uma comparação entre o salário mínimo real e a renda mensal que seria necessária. Os dados mostram que, em abril deste ano, para se adequar às demandas pessoais de uma família com um trabalhador, o montante deveria estar no patamar de R$ 2.257,52.

“O Dieese utiliza a família padrão, baseado no que diz a Constituição – [remuneração adequada para] o trabalhador e sua família –, como base do cálculo”, explicou Soares. Diz a Carta Magna de 1988, no artigo 7º, que um casal com dois filhos deve poder sobreviver com dignidade, ganhando um salário mínimo.

O estudo comparativo leva em conta a cesta básica de Porto Alegre, a mais cara do País, que equivale a 35,71% do valor estipulado, somada aos gastos com habitação, educação, saúde, lazer, transporte, higiene e previdência.

Para o coordenador dos projetos de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT, Paulo Sérgio Mouçouçah, a renda mensal adequada não precisa ter um valor generalizado. “A remuneração deve assegurar uma vida digna. Não há um limite numérico para isso, que varia muito de lugar para lugar”, afirmou.

Nas cidades do ABC, certas categorias do setor industrial conquistaram pisos salariais acima do salário mínimo atual, chegando perto do valor da renda mínima necessária, calculada pelo Dieese.

“Pelo fato de estar em uma das regiões mais industrializadas do País e ter uma tradição de reivindicação e negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores. Obviamente, isso se reflete em termos de condições de trabalho e remuneração”, falou Mouçouçah.

Os trabalhadores do complexo metal-mecânico da região, por exemplo, tiveram rendimento real médio de R$ 2.022, em 2009, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Convênio Dieese-Seade.

“É uma negociação contínua, todos os anos, tentando chegar a um ponto melhor. Os metalúrgicos têm melhores salários, mas não é o ideal ainda”, concluiu Soares, o economista do Dieese.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: