CÉU CANTA NA VIRADA CULTURAL

maio 18, 2010 at 0:52 (Jornalismo)

“Na minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”, recitou a Canção do Exílio a cantora Céu, em uma de suas próprias canções, durante a sexta edição da Virada Cultural. Ela tomou o palco da Praça Júlio Prestes, durante a madrugada de domingo (16/05).

Vestida de branco, com lantejoulas no vestido, a artista movia-se como um leve ser alado enquanto apresentava sua música de reggae e malemolência. Um telão a auxiliava na recepção do público, que se estendia por meio quilômetro na Avenida Duque de Caxias. À frente da grade de segurança, a multidão era tão massificada que beirava o impossível atravessá-la. No front stage, em uma área vip, a imprensa assistia imóvel ao show, em suas cadeiras de plástico branco.

A cantora comandou por mais de uma hora a importante praça da região central de São Paulo. Uma acrobata acompanhava suas canções fazendo ousadas expressões corporais, dependurada em um cabo que se esticava entre a Sala São Paulo e um prédio da cracolândia. A vida do crack via tudo pacificamente, recolhida em suas constantes baforadas tóxicas.

A platéia comum, espremida na densidade da reunião coletiva, não podia acompanhar a Céu nos passos de dança. No entanto, a voz do palco era a fonte de paz para uma coletividade que poderia ocasionar a irritação, e talvez o desespero, no caso de uma confusão qualquer. No espaço público vasto e superlotado, a música que emanava da cantora e de sua banda era o pão de milhares de pessoas que haviam deixado suas casas para ir ao megaevento paulistano.

Após uma hora e meia de espetáculo, que havia começado a 0h, a artista reverenciou ao público e desceu do palco por uma rampa de saída lateral, acompanhada de sua produtora, Beth Araújo.

Questionada sobre a importância da Virada Cultural para a música popular brasileira, Maria do Céu Whitaker Poças, a Céu, respondeu: “A coisa mais linda é a democracia. É a música falando pelo coração, a liberdade. Esse é um evento para todos, sem classe, sem idade. Todo mundo pode ver, e isso me emociona. Quisera eu que o mundo inteiro fosse assim”.

Ela, que nunca participara do evento, afirmou ter sido o público da Virada Cultural a sua maior audiência. “Essa é a primeira multidão, a maior honra, a maior ‘responsa’. Estou muito feliz…”.

Angelical e acessível, a cantora representa a beleza da mulher comum e a raridade do que é simples. Céu é o inferno das mulheres que desejam atingir o paraíso através da superficialidade plástica e estética. Seu show, uma demonstração de paz e de leveza.

“Eu tento não pensar, eu tento sentir. Simplesmente sentir”, respondeu, quando perguntei no que ela pensava na hora de cantar.

(Fotos de Olívia Fuchs)

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