DOIS EM UM

março 17, 2010 at 1:00 (Análise & Crítica)

Santander prepara o público para aceitar fusão com o Banco Real; criação de oligopólios diminui a concorrência entre bancos, deixando clientes à deriva dos altos juros

Hoje, o dia amanheceu com a execução de uma grande jogada publicitária. Quem assina algum dos dois jornais mais vendidos de São Paulo deparou-se com ambos, Folha e Estado, unidos em uma só embalagem de divulgação do Banco Santander. A sacola de plástico dizia: “tomar decisões levando em conta mais pontos de vista. Vamos fazer juntos?”.

O lance remonta a uma série de reclames de televisão que proclamam as vantagens de se estar “junto”. Quem não se emocionou ao assistir a um deles? As peças destacam valores benéficos que são alcançáveis somente em conjunto. Enquanto as ações solitárias (“isso é sozinho”) são tidas como prejudiciais ao meio ambiente, à sociedade de modo geral e aos indivíduos. Apenas as ações conjuntas, nos comerciais, são consideradas como ‘do bem’.

A junção de dois jornais concorrentes e os comoventes propagandas televisivos preparam a mente da população para engolir uma fusão entre dois bancos: a do Santander com o Banco Real.

Já consolidado, esse oligopólio apenas está a fazer os ajustes finais para que toda a cadeia da dupla de marcas seja velada sob um único nome: Santander. Agora, fica mais difícil para que os juros de cheques especiais e das linhas de crédito sejam remanejados para baixo.

Com menos bancos disponíveis no mercado (Itaú também se juntara ao Unibanco, em 2008), a concorrência do setor diminui, restando ao Banco do Brasil ser o único com poder para controlar a farra dos privados – como o fez, disponibilizando crédito durante uma fase amesquinhada, conseqüente da crise iniciada em 2008, em que a maioria dos bancos reduziu suas carteiras de crédito.

As opções da clientela diminuem paralelamente a uma concentração cada vez maior de poder decisório nas mãos de poucas e gordas instituições privadas, donde seus executivos primam pelas metas de lucro cada vez maior. É da natureza do sistema lucrar mais, tolhendo empréstimos a baixos juros anuais, emprestando a altos juros mensais.

O espanhol Banco Santander, o maior de toda a linha do euro, faturou 8,9 bilhões de euros em 2009, sendo que 20% do seu lucro líquido advieram do Brasil.

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1 Comentário

  1. Renan Vieira said,

    Quem mandou elegerem a ‘América’ como ‘mentora’ da humanidade? Vamos ‘oligopolisar’!

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