A CRIANÇA

dezembro 24, 2009 at 20:49 (Literatura)

Murmurando palavras que não consigo distinguir, ela me olha. Delicada, ingênua e brincalhona. A menina tem dentes-de-leite brancos como o açúcar; faltam-lhe dois ou três, sob o lábio que ri alegre na luz forte do sol. É divertidíssima quando emana a voz para citar palavras de natureza singela. Sua pele é mais clara que o ébano e mais escura do que o marfim; o cabelo é crespo, tem cores de castanha e permite que a orelhinha fique exposta a qualquer puxão que sua mãe possa lhe dar.

Age com muita pureza a pequena criatura que me ganha amor. Notável é que ela me olha como se eu fosse um irmão. Sorrio também enquanto ela pula, ri, grita e me abraça, agradando-me a alma. Tento arrancar risadas, para manter em orquestração a música que sai de sua voz miúda. A fala, muitas vezes inaudível, é uma autêntica expressão melódica, das mais encantadoras dentre os sons possíveis em liberdade artística, sem instrumentos ou ferramentas musicais. Fico a ouvir e observar, enquanto ela faz incompreensíveis arranjos harmônicos com sua fala risonha.

Uma criança. Não há nada mais doce do que uma criança. Nenhuma realidade reluz tanta graça quanto faz a infância.            

(Lembranças de uma construção de Um Teto Para Meu País, em meados de 2008)                                    

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