URBANISMO E EXCLUSÃO

dezembro 17, 2009 at 1:31 (Análise & Crítica)

A cidade é espaço do corporativismo

Tomemos como exemplo a Região Metropolitana de São Paulo, foco industrial da política desenvolvimentista durante a década de 1950 e modelo supremo do crescimento econômico no Brasil dos anos 60. São Paulo é a maior expressão nacional da urbanização corporativa que se instalou no país, a partir de um panorama global.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em acréscimo, disciplinaram o sistema financeiro do mundo, entre os anos 70 e 80, a custo da desregulamentação do setor agrário, que se tornara um espaço para verdadeiros empresários onde os pequenos e médios produtores foram postos à deriva. Daí, o extraordinário êxodo rural, que somou-se a um vertiginoso processo de urbanização.

As favelas paulistas continham 1,2% da população total em 1973. Quando 1993, já eram responsáveis pela habitação de 19,8%. O crescimento populacional médio da década de 1990 foi de 16,4%, ao ano, nas favelas do Estado de São Paulo.

Continuamente, a capital fora absorvendo a população que se favelizava, sendo produto da crise agrária e do imperativo industrial, mas a infra-estrutura medicinal, educacional e empregatícia não acompanhou o ritmo desenfreado.

Em um país no qual o poder decisório e o capital bruto centralizam-se nas mãos da União, as autonomias locais não têm força para atualizar efetivamente seu funcionamento e as grandes corporações, principalmente as internacionais, estabelecem uma cultura hegemônica (de consumo, a mais contemporânea) e afunilam o lucro.

Segundo Milton Santos, esse lúcido, “de um ponto de vista político, as atividades centrais, isto é, programadas como condição de êxito para o projeto nacional, são as que interessam ao próprio Estado e às corporações”. E, logo, “as atividades não hegemônicas são deixadas à espontaneidade do mercado”.

A predominância do capitalismo é responsável pela dicotomia fundamental de nosso tempos, da qual decorre o processo de exclusão social: o acúmulo eufórico da riqueza, no entanto de uma miséria cada vez mais esparsa. A idéia do utilitarismo, na qual o enriquecimento de uma partícula social favorece às outras partículas que a envolvem, cai seca nas grandes cidades – muito pouco se cumpre.

Talvez, um dos fatores que melhor explicam a exclusão do pobre pelo rico seja a própria distribuição espacial que se dá sobre o asfalto. O setor imobiliário sacaneia para que onde houver capital não haja o vulgo invasor, a pobreza. A especulação e o encarecimento de terras consolidadas para a produção capitalista afastam – periferizam – os que estão de fora do suposto progresso. Aliás, justamente os excluídos que participam da produção material e geração financeira, e das quais não extraem benefícios, ou direitos, substanciais.

Além do menos, para que cheguem ao local de trabalho, das periferias de onde saem, os afastados devem pagar taxas significativas para os meios de transporte que, quando não os privatizou, o Estado oferece. A distribuição dos transportes públicos obedece à lógica de centralização do capital, e toda sua conseqüente marginalização.

A conclusão que se tem é simples e conhecida, apesar de o tema se tratar de um dos mais complexos e problemáticos deste e, provavelmente, do próximo século de civilização humana. Há um direcionamento dos investimentos do capital, óleo das engrenagens sociais do mundo produtivo, voltado ao favorecimento econômico de corporativismos, que são grupos de domínio e poder.

O capitalismo monopolista permite e defende a supressão de classes por soberanias ricas e minoritárias. Resultado do modelo é quase um quarto da bilionária população mundial vivendo em extremos da pobreza, nos variados tipos de periferia que causam desconforto às cidades, tentando alcançá-las, pisoteados.

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