A CAFEÍNA AJUDA

junho 18, 2009 at 18:24 (Filosofia)

A cafeína ajuda.

Há momentos em que a percepção sensorial fica bem apurada. Nestes instantes, a capacidade de escrever se torna incrível, fazendo com que nasçam textos belíssimos. Porém, bons textos são produtos finais de uma manufatura intelectual que exige um esforço ardiloso, como esculpir e pintar, com a vantagem de que as palavras representam a extensão dos pensamentos elaborados em suas formas mais explícitas e inusitadas

Coisa que complica o desenrolar da escrita é a confusão mental, pois fácil não é organizar os próprios pensamentos, principalmente quando a intenção de um texto é atemática e visa ao objetivo quimérico de esclarecer subjetivismos da vida contemporânea. Os grandes filósofos devem ter sido viciados inveterados em café, além de terem tido a incrível capacidade de botar em ordem todos os seus pensamentos através da escrita. A destreza de descrever e explicar os monstros e beldades da cabeça e realidade humanas é um talento reservado a poucos. Desta minoria, uma parcela menor ainda se faz reconhecida por meios acadêmicos e de comunicação. Filósofos e escritores são cérebros desesperados presos em corpos vagais que fazem um trabalho desgracioso. Escrever por hábito ou necessidade é pernicioso, mas alguém tem que fazê-lo.

Observar os acontecimentos de um mundo lotado de demônios, por si só, já é uma tarefa árdua. Refletir sobre a sociedade e suas características mais efêmeras, raciocinando isto em dias de distrações profanas, onde espetáculos vazios dominam a cabeça de massas desvinculadas e imensas, é um tipo de dedicação que exige a depredação da própria consciência e um esforço depressivamente ardil. Afinal, escrever é benção de amaldiçoados.

É tempo de luxúria, diga-se. A partir do momento em que um burguês decidiu arrancar fora a cabeça de um nobre para criar a nova nobreza, ideais de propriedade privada e o desejo de se obter uma consciência soberana sobre o globo completo têm assombrado a convivência dos mais humanos seres. A idéia de que os pertences individuais devam ser mais valorizados do que a própria existência de um ser semelhante acomete a Razão de pessoas que destroem o que tocam. Um sujeito deve enxergar em outro a veracidade suprema de sua criação, mas acaba por pisar em cima do que lhe é alheio, pisoteando e tapando as narinas. Alguém que vive em São Paulo sabe bem que há muitas pessoas por aí andando surdas de aparelhos musicais e vivendo sem consciência cooperativa alguma, desesperadas por satisfações momentâneas. Nos jornais, já se fala no risco de calamidades ambientais destroçarem as grandes sociedades humanas. Nas confabulações, ouvem-se alegorias forçadas.

Sempre haverá os que brindam às maravilhas pós-modernas. A tecnologia cheia de euforia, o entretenimento lotado de convencimento, a publicidade estúpida querendo ser comprada. Se existe uma palavra que defina a mor realidade de nosso tempo, esta é a embalagem.

Todas as concepções de valores foram envoltas por estética e interesses egoísticos. A percepção das coisas, enquanto reais e sólidas, foi abalada e desfez-se junto aos significados estabelecidos da existência humana, em quaisquer regiões ou eras. A realidade contemporânea é espetacular. Com maneira simplista e enigmática, pode-se dizer que as realidades humanas ocidentais – e, inclusive, todas as suas interpretações – se aglutinaram em uma imposição caótica e ilustrada.

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