THE DOORS – RIDERS ON THE STORM

abril 22, 2009 at 20:33 (Análise & Crítica, Jornalismo)

© Crítica do show do dia 18 de abril de 2009, no Espaço Anchieta, em São Bernardo do Campo, publicada na edição do dia 22 de abril do Hoje Jornal
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Manzarek e Krieger são os únicos restantes da formação original

Manzarek e Krieger são os únicos restantes da formação original

Novo nome é intragável, mas banda não perdeu o charme

Um tal de Russo in concert – como alguém o chamou – invade o palco e começa a arranhar acordes de clássicos do rock’n roll. Logo, o que parece ser uma legião de fãs do Grande ABC acompanha sua música e grita familiarizada com os cabelos longos, a voz entranhada e feminina do cantor. Eis a abertura do show. Entre Led Zeppelin, Pink Floyd e Raul Seixas, o que mais prende a atenção, vindo dessa figura que toca uma guitarra de dois braços com fúria, é quando o instrumento soa melodias de Janis Joplin. Na verdade, não são as cordas metálicas que mais atraem, apesar de todas as batidas de acorde serem tocadas com um agito mais frenético do que as das originais, mas, sim, as cordas vocais de Russo, que tentam se aproximar de Joplin e, às vezes, quase conseguem.

O homem começa a se vangloriar, entre dedilhadas nervosas, exagera em narcisismo, oferece sua página no site Orkut, faz propaganda de produtores, com voz quase incompreensível e mandíbula tensa, e finalmente se retira. Entram os integrantes do The Doors, ou melhor, do The Doors – Riders On The Storm, já que a gravadora estadunidense os proibiu de usar o nome original – estranho que a canção intitulada, que completara o nome da banda atual, não tenha sido tocada nesse empolgante show de sábado, dia 18 de abril de 2009, no Espaço Anchieta, em São Bernardo do Campo.

O grupo entra enérgico, com os velhos fazendo frente juntos ao novo cantor. Guitarrista e tecladista, Robby Krieger, 63, e Raymond Manzarek, 70, são os únicos que restaram da formação original. Jim Morrison morreu em 1971 e John Densmore, o primeiro baterista, deixou os Doors em 1973 – e entrou com um processo, vencido por ele, contra os dois integrantes restantes por uso indevido do nome da banda. Os caras não perderam a força. A fumaça branca que sai dos fundos do palco não esconde tamanha explosão que, reforçada pelo talento do vocalista Bret Scollin, empolga o público menor do que o esperado, mas não os faz dançar como se via nos anos 60 – talvez pela falta de um lunático como Jim foi, gritando profecias ofensivas e caindo bêbado do palco.

A primeira canção é Love Me Two Times, e demonstra toda a forma dos músicos, eles são performáticos e conversam com o público. Manzarek faz algumas piadas relacionadas à maconha, ao LSD e ao álcool, e o cantor completa: “São Bernardo do Campo, ou seja, lá onde estivermos, é um prazer estar aqui!” (traduzido). Todos parecem se divertir com a declaração sarcástica. E, de repente, começam a tocar We Love You Madly (Nós O Amamos Loucamente) acrescentando no refrão o nome Jim. A combinação se transforma em um mantra, seguido pela platéia. “We Love You Madly Jim!”, “We Love You Madly Jim!” é repetido com algumas variações sem nexo, como “We Love You Madly El Presidente!”, “We Love You Madly George Bush!”. Se faz sentido? Faz! O baterista realiza uma virada habilidosa e um clássico da banda é posto em sonoridade: Break on Trough (To The Other Side), no que parece ser o clímax dessa aventura nostálgica. O público não é grande, há espaços vazios espalhados por toda a enorme arena que é o local, mas é suficiente para dar mais animosidade à música, que é tocada com o fulgor de uma banda jovem. Excetuando a área VIP, que se manifesta com timidez, a pista se agita. O que mudou nos estereótipos? Não se vê personalidades puxadas ao estilo hippie, tão característico do público original do The Doors nos anos 60/70. Os tipos mais perceptíveis, e que estão em maioria, são adeptos do metal e motoqueiros com suas roupagens de couro preto.

Krieger e Manzarek apresentam a formação atual da banda – nada mais justo, sendo que são os antigos e originais integrantes – e declaram seu amor ao Brasil. Os caras brincam com mais alguns sons e deixam provado que puderam reviver o espírito do The Doors nessa noite barulhenta. A banda não perdera o charme, embora o nome – e o complemento: Riders On The Storm, principalmente – tenha se tornado uma chacota.

Acacio Moureira, 51, que vendia camisetas e bugigangas relacionadas ao show explica: “Só Jim Morrison é atitude”.

¤ Foto de Raquel Toth
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