
“Mundo Anfetamínico” é uma experiência jornalístico-literária, às vezes poética e freqüentemente político-filosófica. Realizada em pleno espaço virtual, à falta de se poder tocar em suas páginas digitais, é possível explorá-la com abundância, na produção ou na leitura, sem que isso a desgaste.
Tal título, sugestivamente toxicomaníaco, em verdade se refere aos nossos tempos pós-modernos. Neste início de século apressado e ansioso, vive-se à velocidade de um cocainômano — a dependência química, aqui, serve de metáfora para múltiplas doenças contemporâneas.
A alienação em massa — no emprego, consumo ou entretenimento —, a aceitação da desigualdade social e a loucura das finanças, e todas as conseqüências, precedências e transcendências dessas maldições do acaso, deveriam ser pauta para qualquer jornal que enxergasse além do materialismo (histórico ou banal). Coisa que não acontece — por sorte inventaram o blog, ferramenta suspeita.
A pós-modernidade é doente, como alertam alguns sábios ignorados. Embora represente o topo a que se conseguiu chegar, isso não significa que nossa época esteja livre dos monstros de todos os tempos. Pior, novos demônios não param de nascer — vide armas nucleares, cantores virais e cegueiras incuráveis.
Não se trata de catastrofismo. Falemos das beldades humanas, também, cantemos às musas! Mas não nos esqueçamos das mazelas constantes. Percebamos que a civilização está dopada e que o mundo, por assim dizer, é anfetamínico.
Bruno Cirillo, 21, repórter
cirillo7@hotmail.com



Marcus Vinícius Rezende Costa disse,
outubro 6, 2011 às 1:21
Bruno, tu és fera, e sob teu digito se abrirá um novo mundo!